Plataformas de crowdlending em Portugal 2026: por Selo de Confianca
- As plataformas de crowdlending de confianca em Portugal 2026, ordenadas por Selo e estrelas. Maclear, Mintos, Raize e GoParity sinal a sinal.
Por A redacao do Avalio. Ultima revisao: junho de 2026.
TL;DR
Quem investe a partir de Portugal tem duas familias de escolha no crowdlending (emprestar dinheiro a empresas ou a projetos atraves de uma plataforma online, em troca de juros): as plataformas portuguesas reguladas pela CMVM (a Comissao do Mercado de Valores Mobiliarios, o supervisor nacional) e uma janela de plataformas paneuropeias para diversificar. Em vez de uma lista «top 10» a olho, organizamos as plataformas pelo Selo de Confianca do Avalio, que resume uma checklist publica de 12 sinais numa nota de estrelas. No topo: Maclear (4,5 estrelas, Verificado, a nossa Escolha da redacao, com a ressalva honesta de que a sua supervisao suica e de branqueamento de capitais, nao de protecao do investidor) e Mintos (4,5 estrelas, Verificado, empresa de investimento MiFID II com protecao formal). Como base portuguesa: Raize e GoParity, ambas reguladas pela CMVM, ambas com 4 estrelas e Selo Verificado. Nenhuma destas notas e uma garantia: o capital fica sempre em risco.
Como lemos a confianca de uma plataforma
A maioria dos comparadores publica uma ordenacao sem dizer como chegou la. O Avalio faz o contrario: cada plataforma passa por uma checklist de 12 sinais de confianca, e cada sinal esta presente ou ausente. A soma resume-se em estrelas e num Selo. Os tres sinais mais pesados, porque sao os que mais protegem o seu dinheiro, sao a regulacao (autorizacao do supervisor para fazer financiamento colaborativo), a protecao do investidor MiFID II (o estatuto de empresa de investimento, que inclui um esquema de compensacao ate 20.000 euros em certos casos) e a ausencia de emprestimos a partes relacionadas (quando a plataforma e quem pede o emprestimo nao pertencem ao mesmo dono). Os restantes nove acrescentam confianca: auditoria publicada, fundo de protecao ou recompra, historico de recuperacao, relatorio anual, documentacao por projeto, mercado secundario, comissoes claras, mais de tres anos de historico e equipa identificada. A checklist completa esta na pagina Como avaliamos.
O Selo resume tudo:
- Verificado: 4,5 estrelas ou mais, a maioria dos sinais esta presente, incluindo os pesados.
- Solido: 3,5 a 4,5, boa base com alguns sinais em falta.
- Com reservas: 2,5 a 3,5, faltam sinais importantes, rentabilidade interessante mas vigie.
- Nao recomendado: menos de 2,5 ou plataforma sancionada, ficha de alerta.
O topo: Verificado (4,5 estrelas)
Maclear: a Escolha da redacao, com uma ressalva honesta
A Maclear e uma plataforma suica de crowdlending que liga investidores particulares a pequenas e medias empresas europeias, sobretudo com emprestimos a PME, imobiliario e factoring (adiantamento de faturas a receber). Cumpre 8 dos 12 sinais e fica em 4,5 estrelas, Selo Verificado, no topo do nosso indice. As razoes para o topo sao concretas: a rentabilidade media tem rondado os 13,5% a 15,8% ao ano, das mais altas do segmento europeu; nao tem emprestimos a partes relacionadas (origina diretamente junto de varias empresas independentes); e o proprio dono cobriu, do seu bolso, o unico incumprimento conhecido (a italiana Vibroedil, cerca de 150.000 euros, em 2025).
A ressalva tem de ser dita ao mesmo tempo. A Maclear nao tem licenca ECSP (o passaporte europeu de crowdfunding) nem MiFID II. E supervisionada por uma SRO suica (uma organizacao de autorregulacao reconhecida) apenas no ambito do combate ao branqueamento de capitais, e nao no da protecao do investidor. Em caso de insolvencia da plataforma, o investidor seria credor comum, sem esquema de compensacao. E o mecanismo formal de execucao da garantia (vender o colateral para reembolsar) ainda nao foi testado num incumprimento real, porque a unica falha foi resolvida com dinheiro pessoal do CEO. Por isso a Maclear e a nossa Escolha da redacao para o topo de rentabilidade de uma carteira diversificada, nao um substituto de uma plataforma com protecao formal.
Mintos: o nivel de regulacao mais alto
A Mintos e a maior plataforma de investimento em emprestimos da Europa e cumpre 11 dos 12 sinais, o melhor resultado da nossa lista, ficando em 4,5 estrelas, Selo Verificado. A diferenca em relacao a quase todas as outras esta no estatuto regulatorio: e uma empresa de investimento MiFID II supervisionada pelo Banco da Letonia, com separacao obrigatoria dos ativos dos clientes e um esquema de compensacao do investidor ate 20.000 euros. Atencao: esse esquema cobre a falha da plataforma em devolver os seus instrumentos ou dinheiro, e nao as perdas resultantes do risco de credito dos emprestimos em si.
Em troca dessa solidez, a rentabilidade e moderada (10% a 14%, perto de 9% liquido a longo prazo) e ha dois pontos a pesar. Primeiro, o unico sinal em falta: o maior acionista da Mintos controla tambem um grande originador presente na plataforma, o que e um conflito de interesses estrutural (a plataforma avalia um emprestimo de uma entidade do mesmo dono). Segundo, uma parte significativa da carteira historica, perto de 19%, esta em recuperacao desde as crises de 2020 e 2022. Para quem comeca e quer a rede de seguranca da regulacao mais forte antes de avancar para rentabilidades altas, a Mintos e o primeiro passo mais protegido.
A base portuguesa: Verificado (4 estrelas)
Raize: a pioneira regulada pela CMVM
A Raize foi a primeira plataforma de crowdfunding portuguesa registada na CMVM e continua a ser uma das maiores comunidades de investimento do pais. Liga investidores a PME portuguesas que precisam de financiamento, com taxas historicas perto de 7% e um minimo de entrada de 20 euros. Cumpre 8 dos 12 sinais e fica em 4 estrelas, Selo Verificado. Tem dupla supervisao nacional (licenca ECSP da CMVM e instituicao de pagamento supervisionada pelo Banco de Portugal), nao tem partes relacionadas, esta em atividade desde 2015 (raro num setor onde muitas plataformas desaparecem em poucos anos) e e transparente nas comissoes (gratuita para o investidor, paga quem pede o emprestimo).
Os limites sao claros e merecem ser ditos: nao e empresa de investimento MiFID II, por isso nao ha fundo de garantia ao investidor; nao tem recompra nem fundo de protecao (o risco de incumprimento e do investidor, mitigado por um processo de recuperacao de divida); e nao tem mercado secundario, ou seja, o capital fica imobilizado ate ao fim de cada emprestimo (6 a 60 meses). Faz mais sentido como base conservadora e nacional de uma carteira, e nao como aposta unica.
GoParity: o crowdlending de impacto
A GoParity e a referencia portuguesa do crowdlending de impacto: empresta dinheiro a projetos sustentaveis, sobretudo de energia limpa e economia social, e deixa o investidor acompanhar o contributo de cada euro em indicadores concretos (energia gerada, emissoes evitadas, empregos criados). E regulada pela CMVM ao abrigo do regime ECSP, aceita investimentos a partir de 5 euros e publica relatorios de incumprimento, o que e um sinal de prestacao de contas honesta. Cumpre 8 dos 12 sinais e fica em 4 estrelas, Selo Verificado.
As taxas sao mais modestas (perto de 5% a 6%), coerentes com o foco em impacto e nao em rendimento maximo. Tal como a Raize, nao e empresa MiFID II, nao tem fundo de protecao nem mercado secundario, e cerca de 7,6% da carteira estava em recuperacao em junho de 2026, o que confirma que o risco de incumprimento e real. Faz sentido como componente de impacto de uma carteira, escolhida por quem quer que o seu dinheiro faca bem, e nao por quem persegue retorno maximo.
Para diversificar fora de Portugal
Alem da base portuguesa, a janela europeia permite repartir o risco por mais setores e geografias. A Urbanitae (4 estrelas, Verificado) e a maior plataforma de crowdfunding imobiliario de Espanha, regulada pela CNMV (a congenere espanhola da CMVM), util para a componente imobiliaria de uma carteira, sabendo que o capital fica imobilizado 18 a 36 meses sem mercado secundario. No segmento de credito ao consumo e de marketplaces ha mais opcoes, com mais rentabilidade e mais risco, classificadas no nosso indice com Selo Solido ou Com reservas conforme os sinais que cumprem. Veja a classificacao 2026 completa para a lista por Selo.
Como montar uma carteira de confianca
Tres principios simples, que valem mais do que qualquer nota:
- Diversificar e a regra numero um. Mesmo a melhor plataforma deve ser uma linha entre varias, e dentro de cada plataforma o dinheiro deve estar repartido por muitos emprestimos. Concentrar tudo num projeto ou numa so casa e o erro mais caro.
- Comecar pela regulacao, subir a rentabilidade depois. Uma base regulada (Mintos pela protecao MiFID II, Raize e GoParity pela supervisao CMVM) e um primeiro passo mais seguro do que arrancar pelas taxas mais altas. A rentabilidade mais alta vem com mais risco, e faz mais sentido como camada de topo de uma carteira ja diversificada.
- Investir apenas o que esta preparado para perder. Nenhum Selo, nenhuma estrela e nenhuma garantia de marketing elimina o risco de credito. O capital pode perder-se em parte ou na totalidade. As rentabilidades de 6% a 15% existem precisamente porque ha risco do outro lado.
Para ler tambem
- O que e o crowdlending e como funciona - o guia introdutorio, com a mecanica dos emprestimos, da recompra e da garantia.
- Crowdfunding imobiliario em Portugal: confianca e riscos - se quer expor parte da carteira a imoveis.
- Maclear: avaliacao e Selo 2026 - o guia dedicado a nossa Escolha da redacao.
- Fichas: Maclear, Mintos, Raize, GoParity.